Foi uma vertigem - disse - Alterou a realidade e fez-se crer na estranha ideia do impossível possível.
O fato é que as formas se moviam como gente, como nuvem, como brisa; Tamanha era a veemência que aquilo tinha.
O mistério do planeta
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Sobre Medéia; de sua filha.
Aqui estou, envolta de culpa e dor de gente que não sabe como tudo foi acontecer. Fui morrer da dor de minha mãe, Medeia, com sua bravura e devoção ao mostrar-se mulher. É com essa fissura que perdi a vida, bem como ela a dela; não a culpo por não saber outro fim. Minha mãe foi gente sofrendo sem ter para onde ir, foi pessoa que geme enquanto morre. Minha mãe foi protetora felina de mim, nada mais.
Posso mesmo compreender que, por vezes, ela tenha sido cruel, muitas vezes em prol de sua felicidade ora por vingança. Contudo creio que minhã mãe assumiu suas melhores formas para mostrar aquilo que dói de fato. Medeia foi capaz de representar a dor em diversas pessoas, matou porque sentia o matar nela mesma e sofria a falta de existir enquanto matava cada um que lhe atormentara.
Pensando nisso, relembro as muitas vezes que meu pai, ainda que tenha sido solícito, tentara contornar e reverter as desgraças que minha mãe pretendia. Jamais ela se rendeu aos embaraçosos discursos de meu pai, Jasão. Muitas foram as vezes em que vi minha mãe e meu pai brigarem, inconformados com a discórdia; mamãe gritava e agitava os braços, enquanto papai, calmo tentava apaziguar o impossível. Meu pai jamais mudou qualquer opinião de mamãe e caso ela dissesse que sim, alguma coisa estava errada ou alguma coisa ela pretendia.
Compreedi a morte como um fardo, uma certa sina, destino de quem já sente, pressente que tudo desanda.
Quando via minha mãe muito calada, inquieta, sufocando de dor e lamento, enquanto a Ama pedia-me que ficasse longe dela, sabia, que a morte estava próxima. Sentia entre nós uma falsa empatia, como se fôssemos cão e gato, como se os astros me mostrassem que nossas vidas se cruzariam a ponto de fenecerem, como bem foi. A morte foi a reflexão da vida e num estalo, tudo escureceu.
Minha mãe sempre dizia que os mortais dramatizavam muito a morte, pois ela não passava de uma transgressão. Confesso que concordei com ela depois do acontecido, contudo é difícil esperar a morte de forma tranquila, muito mais quando sentimos a morte pelas mãos de nossa mãe.
Pois até que não foi tão brusco: ao vir de encontro a mim para matar-me, Medéia disse as seguintes palavras:
- Filha minha que com devoção cuidei, acariciei os cabelos todos os dias de sua vida, quero que saiba que os deuses me invocam para que seja feita justiça com nós mesmas. Sofro muito pelo que vou fazer, contudo é necessário para que outros mereçam o que bem devem e que morram de uma dor pior do que essa que agora entrego a ti.
Falando isso percebi seus olhos difusos e cerrados, como se não desejasse tal atitude, contudo percebia nela uma predestinação a tal comportamento. Mamãe seguia seus instintos e morria e matava por eles, independente de quem fosse.
Caso necessitasse culpar alguém, culparia o acaso, pois tudo que minha mãe e meu pai fizeram foi viver, contudo o desenrolar desta vivência ocasionou o ódio, desatino e tortura mútua. Jasão preferiu afastar-se largou quem mais o tinha afeto e deovção e, por isso, teve consigo a resposta do mostro que bem criou e Medéia, incompreendida e sentindo-se traída, invocou deuses e ultrapassou as barreiras da coincidências, transformando fatalidades em suas obra de arte colossal.
Minha mãe sempre dizia que um dia pagaria pelos seus atos tão nobres, pela sua constante dedicação. Ela dizia que o povo não sabe dar o algo bom à quem lhe quer bem. Dizia também que as pessoas deveriam ser marcadas para que soubéssemos que é mau e quem não é. O tempo que passei ao lado de minha mãe, percebi que ela dizia e agia de maneira correta, dedicava-se a papai como bem devia ser e amava os filhos também.
Todavia quando tudo desabou em suas mãos, percebi nela uma fera presa, obscura, como se tivesse dormido por muito tempo e, por isso, estava disposta a ser cruel até mesmo com quem mais amava. Mamãe expeliu todo o seu rancor e ódio e fez de mim um ato de covardia e ao mesmo tempo de justiça. Entendo, agora que repenso tudo, que mamãe quis mostrar a solidão, rejeição e despedida.
Posso mesmo compreender que, por vezes, ela tenha sido cruel, muitas vezes em prol de sua felicidade ora por vingança. Contudo creio que minhã mãe assumiu suas melhores formas para mostrar aquilo que dói de fato. Medeia foi capaz de representar a dor em diversas pessoas, matou porque sentia o matar nela mesma e sofria a falta de existir enquanto matava cada um que lhe atormentara.
Pensando nisso, relembro as muitas vezes que meu pai, ainda que tenha sido solícito, tentara contornar e reverter as desgraças que minha mãe pretendia. Jamais ela se rendeu aos embaraçosos discursos de meu pai, Jasão. Muitas foram as vezes em que vi minha mãe e meu pai brigarem, inconformados com a discórdia; mamãe gritava e agitava os braços, enquanto papai, calmo tentava apaziguar o impossível. Meu pai jamais mudou qualquer opinião de mamãe e caso ela dissesse que sim, alguma coisa estava errada ou alguma coisa ela pretendia.
Compreedi a morte como um fardo, uma certa sina, destino de quem já sente, pressente que tudo desanda.
Quando via minha mãe muito calada, inquieta, sufocando de dor e lamento, enquanto a Ama pedia-me que ficasse longe dela, sabia, que a morte estava próxima. Sentia entre nós uma falsa empatia, como se fôssemos cão e gato, como se os astros me mostrassem que nossas vidas se cruzariam a ponto de fenecerem, como bem foi. A morte foi a reflexão da vida e num estalo, tudo escureceu.
Minha mãe sempre dizia que os mortais dramatizavam muito a morte, pois ela não passava de uma transgressão. Confesso que concordei com ela depois do acontecido, contudo é difícil esperar a morte de forma tranquila, muito mais quando sentimos a morte pelas mãos de nossa mãe.
Pois até que não foi tão brusco: ao vir de encontro a mim para matar-me, Medéia disse as seguintes palavras:
- Filha minha que com devoção cuidei, acariciei os cabelos todos os dias de sua vida, quero que saiba que os deuses me invocam para que seja feita justiça com nós mesmas. Sofro muito pelo que vou fazer, contudo é necessário para que outros mereçam o que bem devem e que morram de uma dor pior do que essa que agora entrego a ti.
Falando isso percebi seus olhos difusos e cerrados, como se não desejasse tal atitude, contudo percebia nela uma predestinação a tal comportamento. Mamãe seguia seus instintos e morria e matava por eles, independente de quem fosse.
Caso necessitasse culpar alguém, culparia o acaso, pois tudo que minha mãe e meu pai fizeram foi viver, contudo o desenrolar desta vivência ocasionou o ódio, desatino e tortura mútua. Jasão preferiu afastar-se largou quem mais o tinha afeto e deovção e, por isso, teve consigo a resposta do mostro que bem criou e Medéia, incompreendida e sentindo-se traída, invocou deuses e ultrapassou as barreiras da coincidências, transformando fatalidades em suas obra de arte colossal.
Minha mãe sempre dizia que um dia pagaria pelos seus atos tão nobres, pela sua constante dedicação. Ela dizia que o povo não sabe dar o algo bom à quem lhe quer bem. Dizia também que as pessoas deveriam ser marcadas para que soubéssemos que é mau e quem não é. O tempo que passei ao lado de minha mãe, percebi que ela dizia e agia de maneira correta, dedicava-se a papai como bem devia ser e amava os filhos também.
Todavia quando tudo desabou em suas mãos, percebi nela uma fera presa, obscura, como se tivesse dormido por muito tempo e, por isso, estava disposta a ser cruel até mesmo com quem mais amava. Mamãe expeliu todo o seu rancor e ódio e fez de mim um ato de covardia e ao mesmo tempo de justiça. Entendo, agora que repenso tudo, que mamãe quis mostrar a solidão, rejeição e despedida.
terça-feira, 21 de junho de 2011
A franqueza de Fernando Pessoa
Aqui está um poema muito franco e, julgo eu, revoltado de Álvaro de Campos que me deu ''uma luz''. Muito bom. Compartilho com vocês. Façam bom proveito.
Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
beijomeliga
Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
beijomeliga
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Aquilo que devemos ser
Não há, na verdade, uma maneira clara de definir isso: trata-se de algo que é difícil formar sem dores. É possível afirmar que é necessário um raciocínio difícil e pesado, um controle mental que gasta o cérebro que dorme quente até o dia seguinte. É uma construção pesada e repleta de críticas e de desafios. Chamada de todos os nomes e verbos, coisas abstratas e sons, é meio que uma reflexão daquilo que ninguém conclui por certo se é certo, se é errado, não sei. Seria como divagações de autores barrocos ou suspeitas de teróricos renomados, coisa de gente culta que não sabe bem a definição da coisa, ninguém sabe.
A resposta é uma constante perturbação da alma envolta de força e intensidade em tudo. Significa uma vontade que grita e, por vezes, se distrai com tantos afazeres e fatos quotidianos repletos de livros e filmes obscuros, bem como textos, comidas, ruas, sons, tudo. Funciona como se fosse um caminho longo, confuso, uma construção telepática daquilo possível de ser, ninguém sabe.
Mesmo chegando até um sentido, beiramos a dúvida o transtorno da possibilidade de mudar, a constante inquetação quanto aquilo que de fato vem a ser. Não sei. Talvez deva ser algo que contorna uma verdade subjetiva, quieta e amena. Talvez uma coisa de gente simpática e imponente, uma certa segurança de ser e de observar, não sei. Talvez uma razão para tudo, uma certeza de tudo. Talvez uma eloquência mentirosa, mas sem prepotência, reafirmando a dúvida, a indagação dos mesmos teóricos cultos, os mesmos 'não sei', não sei. Talvez seja acordar bem cedo e falar bem dos pobres, falar das coisas bonitas que se escuta e vê, sorrir para um bebê, rir com equilíbrio e emocionar-se espontâneamente com a rotina bruta e explícita, não sei.
É possível que seja algo simples, mas o que vejo é uma tentativa repleta de erros, repleta de gente que fala e erra, que luta por chegar até um ponto que eu, sinceramente, não sei.
A resposta é uma constante perturbação da alma envolta de força e intensidade em tudo. Significa uma vontade que grita e, por vezes, se distrai com tantos afazeres e fatos quotidianos repletos de livros e filmes obscuros, bem como textos, comidas, ruas, sons, tudo. Funciona como se fosse um caminho longo, confuso, uma construção telepática daquilo possível de ser, ninguém sabe.
Mesmo chegando até um sentido, beiramos a dúvida o transtorno da possibilidade de mudar, a constante inquetação quanto aquilo que de fato vem a ser. Não sei. Talvez deva ser algo que contorna uma verdade subjetiva, quieta e amena. Talvez uma coisa de gente simpática e imponente, uma certa segurança de ser e de observar, não sei. Talvez uma razão para tudo, uma certeza de tudo. Talvez uma eloquência mentirosa, mas sem prepotência, reafirmando a dúvida, a indagação dos mesmos teóricos cultos, os mesmos 'não sei', não sei. Talvez seja acordar bem cedo e falar bem dos pobres, falar das coisas bonitas que se escuta e vê, sorrir para um bebê, rir com equilíbrio e emocionar-se espontâneamente com a rotina bruta e explícita, não sei.
É possível que seja algo simples, mas o que vejo é uma tentativa repleta de erros, repleta de gente que fala e erra, que luta por chegar até um ponto que eu, sinceramente, não sei.
segunda-feira, 28 de março de 2011
A Louca
miséria nos quadros das cores fortes
nos sons o fato refletia a divina cor de ser autêntica.
nas fotos a rara sensibilidade
que nos texto espanta e na testa atenua a ruga
o rabisco no papel da rua
nos cigarros a dor do dia fenecia
e nas auroras os carros fugiam
os olhos eram buracos, becos; travessas escuras.
escrita pulsante e nos sentidos o coração gemia
agonia forte que logo partia e vinha; vivia
noite e dia vinham a palavra
canto e alma nos copos sorridentes.
pintar foi dom pouco cultivado
nos cursos desejados o sonho respira e convida
a obra bate a porta que fecha
geme aquilo que crê: a fé sempre existe
fixação deixa o teatro mais autêntico
no breu chega a vontade de gravar discreta
a verdade que acontece todo dia
congela a vida: sol que nunca mais se põe.
nas saias e disparos
versos em folhas com pauta engraçam
métodos plausíveis de dizer:
moça, vai viver, vai nascer e ser.
nos sons o fato refletia a divina cor de ser autêntica.
nas fotos a rara sensibilidade
que nos texto espanta e na testa atenua a ruga
o rabisco no papel da rua
nos cigarros a dor do dia fenecia
e nas auroras os carros fugiam
os olhos eram buracos, becos; travessas escuras.
escrita pulsante e nos sentidos o coração gemia
agonia forte que logo partia e vinha; vivia
noite e dia vinham a palavra
canto e alma nos copos sorridentes.
pintar foi dom pouco cultivado
nos cursos desejados o sonho respira e convida
a obra bate a porta que fecha
geme aquilo que crê: a fé sempre existe
fixação deixa o teatro mais autêntico
no breu chega a vontade de gravar discreta
a verdade que acontece todo dia
congela a vida: sol que nunca mais se põe.
nas saias e disparos
versos em folhas com pauta engraçam
métodos plausíveis de dizer:
moça, vai viver, vai nascer e ser.
Maria Flor
quem me dera o braço
ter força capaz de reproduzir
a forma que o cérebro quer
a descoberta por entre as perguntas
a misericórdia de solucionar
aquilo insolúvel no copo d'agua fresca.
quem me dera ter agora
aquilo que me prometo achar
em qualquer lixo das ruas.
Quero algo que dependa de uma força maior,
mais do mundo do que do meu próprio coração.
E onde estará meu coração?
suponho viver em forma de flor:
Maria Flor que geme e suspira gotígulas
flor nobre que mal cabe na criatividade fugaz;
Minha flor é alma cor de ruge
coisa em forma de ameba
metamorfose germinosa
hermafrodita divina.
ter força capaz de reproduzir
a forma que o cérebro quer
a descoberta por entre as perguntas
a misericórdia de solucionar
aquilo insolúvel no copo d'agua fresca.
quem me dera ter agora
aquilo que me prometo achar
em qualquer lixo das ruas.
Quero algo que dependa de uma força maior,
mais do mundo do que do meu próprio coração.
E onde estará meu coração?
suponho viver em forma de flor:
Maria Flor que geme e suspira gotígulas
flor nobre que mal cabe na criatividade fugaz;
Minha flor é alma cor de ruge
coisa em forma de ameba
metamorfose germinosa
hermafrodita divina.
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